LUIZ BASÍLIO ROSSI

Professor Doutor pela PUC/SP

Março de 2020

Uma parte importante dos votantes de outubro de 2018 passou a ver o capitão como o candidato que iria dar solução aos problemas levantados nos últimos anos. Não havia mais sentido, pois, em continuar com os protestos.  Era necessário dar um tempo para que o presidente fizesse o país avançar.

A segunda, por que protestar se Michel Temer – “gente nossa” –  já ocupa a presidência da República, a partir de 12 de maio de 2016? Não havia mais razão para protestos. Esse era o sentimento das classes médias conservadoras e da burguesia. Não esquecer que essa burguesia (proprietária de bancos e financeiras, de indústrias, de comércio e da mídia) foi a grande financiadora da eleição do capitão.

A terceira refere-se à crise política nos anos recentes, que colocou o Partido dos Trabalhadores (PT) e todas as forças progressistas e de esquerda na defensiva. Desnorteadas, essas forças não compreenderam o caráter da crise e não apresentaram propostas políticas viáveis para enfrentar a ação das direitas. Elas permaneceram na defensiva enquanto as classes médias, financiadas pela burguesia, ocuparam as ruas e não deram mais trégua às forças progressistas e de esquerda.

Por fim, como não havia mais interesse em fustigar o PT, Lula e Dilma e nem dirigentes de esquerda após a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência, tanto a Lava Jato como a maioria dos canais de televisão, das rádios e dos maiores jornais do Brasil, mantiveram o apoio ao golpista Temer e, posteriormente, ao governo Bolsonaro.

O governo eleito assumiu a presidência no dia 01 de janeiro de 2019. Após vários meses com Bolsonaro sendo pródigo em mentiras, em ataques à negros, LGBTS, às mulheres e à Constituição, a reação das mídias foi de aturar essas ofensas. Somente na segunda metade de 2019 é que, antigos defensores da Lava Jato na mídia, começaram a reagir aos despautérios do presidente eleito. No começo de 2020, a TV Globo e jornais de circulação nacional como a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo e o Globo criticaram em editoriais a política levada avante pelo presidente, insinuando mesmo iniciar uma campanha para o impeachment do eleito.  Jornalistas dessas mídias como Diogo Mainardi, Reinaldo de Azevedo, Merval Pereira, Miriam Leitão e outros se tornaram críticos ferozes do presidente.