Luiz Basílio Rossi

Priorizamos os vários manifestos que têm sido publicados ultimamente. Como as várias forças políticas avaliam as possibilidades de impeachment ou da continuidade do presidente da República? Manutenção da subserviência aos Estados Unidos? Prevalência do neoliberalismo? Continuação da perda de direitos dos trabalhadores?

O Manifesto “Estamos Juntos”, reúne tudo que se possa imaginar, menos uma personalidade que você saberá qual é no final do texto. Assinam os que propiciaram o golpe de Estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff como Fernando Henrique Cardoso, Luciano Huck. Mas também assinam Fernando Haddad, Guilherme Boulos. É uma salada política. Vai desde os que foram fundamentais para o impeachment de 2016 até personalidades da esquerda como vimos.

É um texto geral, fala de tudo de forma, de generalidades. Democracia é uma palavra mágica que tudo resolve. Mas não tem conteúdo expresso. Abre a possibilidade da continuidade de Bolsonaro. No dia de hoje, dia 13 de maio, o blog Brasil 247 publica que o PSDB “não irá apoiar o impeachment de Jair Bolsonaro”. Por aí, veja o que pretende o “Estamos Juntos”.

É um manifesto que representa os interesses das burguesias brasileira e internacional. Tem assinantes como Luciano Huck, um provável candidato à presidente da República que já disse ser contra taxar as grandes fortunas.

O Manifesto Juristas dizem BASTA a Bolsonaro é um documento mais “técnico” visto que representa os interesses de juristas e advogados em geral. Querem viver sob a égide do Direito. Eles afirmam que Bolsonaro agride a Constituição. Ataca os poderes constituídos como Legislativo, Judiciário, Ministério Público. Afirmam que “todos nós acreditamos que é preciso dar um basta a esta noite de terror que está pretendo cobrir este país.” É um documento claramente democrático. Não contém generalidades como o “Estamos Juntos”.

O Manifesto Policiais antifascismo em defesa da democracia popular. Para os policiais antifascismo o governo Bolsonaro aponta para o controle e a repressão. O fascismo pretende construir um aparato policial contra as classes populares. Criminalizar os movimentos sociais; a utilização de fake news, além do perigo de milicianos e grupos paramilitares. A proposta é de constituir uma Aliança popular antifascismo. Frente Única Antifascista.

Artigo de Rodrigo Peres, na Revista Fórum: Lula desistiu, por hora, do caminho da conciliação com as elites. Para o articulista, o ex-presidente Lula leu perfeitamente o cenário político brasileiro quando disse não assinar o manifesto “Estamos Juntos”, já que o dito não fala de impeachment e nem de direitos retirados da classe trabalhadora.

A posição de Lula garante para o PT os 25% da base orgânica partido. Nas próximas eleições, quando houver, poderá eleger uma bancada poderosa de vereadores, prefeitos, governadores, deputados estaduais e federais, além de senadores, para os embates futuros.

Não quer comer na mesma mesa com personalidades que, a partir de 2014, provocaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, deram o golpe de Estado, golpearam a ele próprio através de infâmias e a prisão. A posição do ex-presidente abre um espaço à esquerda. Ele sabe que o  Manifesto “Estamos Juntos” tem objetivos: manter o controle sobre a nação e possibilitar a manutenção do ministro Guedes, comandando a Economia e a continuidade da submissão aos Estados Unidos, a manutenção do neoliberalismo e, o que é importantíssimo para ele, continuar com a política de desmonte dos direitos trabalhistas.

Junho de 2020.