Ana Helena Rossi

Em 7 de maio de 2019 – de noitinha, em Brasília, Asa Norte

Voltando para casa após o lançamento do livro de Nicolas Behr, me pego pensando nas línguas que compõem o meu ser, que me fazem existir como mulher, mãe, professora, orientadora e poeta. Há uma incógnita nessa questão que desvendo aos poucos enquanto escrevo e traduzo – posso dizer traduzo e escrevo, traduzo-escrevo – um movimento na linguagem que fala da linguagem enquanto meio de me expressar. Pois, no meu caso, várias línguas me compõem, várias línguas que expressam partes da minha vida e que hoje constituem todas elas o que sou. Elas estão nas traduções dos meus poemas, e cada uma delas são um momento da minha vida, das minhas experiências humanas, dos meus amores e dos meus dissabores. Por isso, sempre soube que o meu espaço era na academia, onde o lugar da criação e da escrita constituem um eixo fundamental alimentando tudo o que faço, perpassando o ensino, a pesquisa e a extensão, construindo uma cosmovisão que me alimenta e que alimenta os alunos, e me retroalimenta.

Há uma magia nesse espaço que reconheço como sendo meu e de outros, mas meu, profundamente meu, onde expresso o que sou como poeta, como mulher, como mãe, professora, e orientadora. Nesse lugar cresci e aprendi a me conhecer – sou filha da UnB – filha de dois professores da UnB – Maria José dos Santos Rossi e. Luiz Basílio Rossi – morei na Colina Velha na minha adolescência, me graduei na UnB, depois conheci a Colina Nova quando já vivia no exterior, e hoje quando caminho pelo ICC reconheço inúmeras pessoas que compartilharam minhas existências pregressas – uma delas, o Chiquinho, tão querido.

Conheci as discussões sobre a UnB dentro de casa. Isso me nutriu. E, no âmbito profissional, tomei a decisão de compartilhar essa minha experiência no âmbito acadêmico. E aqui estou após ter me formado na UnB, e ter vivido uma longuíssima estadia no exterior onde continuei a me formar intelectualmente ingressando em outros campos do conhecimento tais como história, filosofia e sociologia, aqui estou de volta para construir sempre e sempre esse espaço que AMO, expressando-me a partir das múltiplas redes que constroem esse espaço universitário, esse espaço tão querido que ajudo também a construir. Isso é o que sinto pela nossa/minha tão querida UnB, um espaço onde penso e vivo o futuro que existe.

Continuarei a me expressar como poeta, professora, mãe, e orientadora para materializar esse amor infinito à minha Universidade de Brasília. E nas noites de pesadelo, penso na história longuíssima da Universidade como instituição humana – Universidade de Bolonha fundada em 1088, University of Cambridge, fundada em 1209, Universidad de Salamanca em 1218, Sorbonne em 1253, Université de Montpellier em 1289 – que nos brinda com uma experiência de resistência que me nutre e que segue de pé.

Boa noite!