Tainá Brederode Sihler Rossi

Eu não consigo respirar, não consigo prestar atenção em mais nada que não seja o meu sofrer. Me afogo no meu próprio ar. É tanto catarro que cada tentativa de lufada de ar, ele me foge. Fugir né.. quantas vezes não fez isso, nas horas que eu precisava, fugir. Eu me lembro de tudo o que queria, que desejava, as expectativas eram só minhas? Foco na respiração, mas como focar nela se ela não existe? O movimento do peito não existe neste momento, ou é esse movimento quase nulo ou é simplesmente uma frequência insuportável de luta por um oxigênio limpo, que não seja carregado por esse peso que me acompanha. Ele sai, desaparece, volta e me atormenta, não me deixa. Ou será que sou eu que o deixo ir? O peso no meu peito,,, ele não vai embora. Depois de um ciclo vicioso de abandonos seguidos, ele é o único que não vai embora, justo ele. Eu queria que eu fosse especial mas na verdade ele se aproveita das pessoas vulneráveis e se multiplica atormentando a um monte de pessoas ao mesmo tempo.

Eu vou e volto, acho que está tudo okei, mas volta e não está. Não consigo sair desse cenário, desse aperto, desse sufoco que faz morada na minha garganta. Difícil assim, né? Porque não coopera? Volta como se nada tivesse acontecido, abrindo caminho aos poucos e do nada lança uma e aperta a minha garganta, retirando a única coisa constante que cabe em mim, eu preciso pra viver. Preciso sofrer pra viver ou só uma montanha russa nada emocionante, só uma rolada para baixo e de repente surge assim, não me deixando nenhuma opção, não posso nem escolher o que eu sinto? Porque mantenho isso vivo? Não sei se mantenho, mas quero que saiba que não importa, não importa porque não foi suficiente nem pra isso ficar comigo, não sei se vale a pena me agarrar a ele. Acho que tenho que ir, mas não importa. Talvez é a coisa certa a fazer, mas alguém tem que ir, então talvez seja eu que vou dessa vez. Não porque não é suficiente, mas porque eu não aguento mais não poder respirar, não sei se não aguento mais.. não sei, só sinto que a energia não me visita mais, não fala mais comigo, não somos mais melhores amigas e agora quem me permanece é o peso, sempre ele que me sufoca, né…

Agosto 2020