Maria José dos Santos Rossi

Esse texto tem o propósito de prestar uma homenagem a uma conterrânea ilustre que iniciou um trabalho intelectual vibrante e vigoroso.

Beatriz Nascimento, intelectual preta, sergipana de Aracaju, historiadora, poeta, ativista do movimento negro, pensadora, professora e quilombola urbana contemporânea teve a sua contribuição intelectual por algum tempo esquecida na Academia.

O professor Alex Ratts ao escrever um livro importante, intitulado Eu sou atlântica – sobre a trajetória de vida de Beatriz Nascimento”,  realiza um diálogo solidário e comovido, procurando colocar a voz dela nos circuitos acadêmicos e militantes, como afirma Hubert Alquéres,  Diretor Presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo na apresentação do livro.

Breves Traços Biográficos

Beatriz Nascimento nasceu em Aracajú, Sergipe, em 12 de julho de 1942, filha de Rubina Pereira do Nascimento, dona de casa e de Francisco Xavier do Nascimento, pedreiro, sendo a oitava filha entre 10 irmãos. Aos sete anos, migrou com a família para o Rio de Janeiro, no final de 1949. A viagem foi de barco, o famoso Ita, partindo de Salvador. A família se instalou em Cordovil, subúrbio do rio de janeiro.

Sobre o deslocamento da família, Ratts nos dá um extrato dos escritos de Beatriz:

“Aqui nós estamos no ano de 1954, em Cordovil. E nós viemos de Sergipe com uma intenção de meus pais de que nós crescêssemos. Vir para a cidade grande. É a grande dinâmica da migração.”

Ela cursou História na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) entre 1968 e 1971. Ao mesmo tempo, ela fazia estágio em Pesquisa no Arquivo Nacional, sob a orientação do historiador José Honório Rodrigues. Tornou-se depois professora de História da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro.

Durante todo tempo participou no Rio de Janeiro de grupos de ativistas negras(os) e acabou por formar vários núcleos; participou da criação do Grupo de Trabalho André Rebouças na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Este grupo buscava introduzir na grade curricular dos cursos de graduação, em especial, nas Ciências Humanas, os créditos referentes às relações raciais no Brasil. Além disso, aspirava atualizar a bibliografia sobre o assunto, que era adotada tanto pelo corpo docente e pelos discentes sobre o assunto. Buscava ainda estabelecer contatos com pesquisadores da Universidade e de outras entidades que desenvolvessem pesquisas, teses e dissertações sobre o tema.

Algumas das suas reflexões e trabalhos

Beatriz fazia uma distinção clara entre – “ser negro” e “sobre falar de negro”. Entre “ser lá” e “estar lá”. Entre a interioridade – como tempo e história, vivência e emoções e a exterioridade temporal – representada pelos estudos sobre a escravidão.

Ela afirma que – ser negro é enfrentar como pessoa uma história de quase quinhentos anos de resistência à dor, ao sofrimento físico, e moral, a sensação de não existir, e à pratica de não pertencer a uma sociedade na qual consagrou tudo o que possuía – força de trabalho, emoções, oferecendo ainda hoje tudo de si mesmo.

Ela ainda discute que ser negro não se resume apenas a um “estado de espírito”, a “alma branca” ou “alma negra” e muito menos apenas a alguns aspectos de comportamento ditados pelos brancos como sendo o esperado de negros e estes adotassem como seus.

Beatriz ainda critica fortemente o “culturalismo” que ela chamou de “cultura de dominação” que determina o lugar do negro na sociedade; ‘o ponha-se no seu lugar’ que ela ouviu muitas vezes a deixava perplexa e indignada.

Ela ousa afirmar, nessa perspectiva, que o Candomblé é “escapista” porque remete a resolução dos conflitos raciais existentes na sociedade para uma relação Orixá e filho.

Beatriz queria ir ao fundo do problema se perguntando – quais os elementos da cultura negra que provocam a submissão, interagindo e contribuindo para o fortalecimento da dominação?

Beatriz Nascimento concebe o negro para além do processo de escravização.  O negro como criador, pois o negro é um Preto Escravizado. Um ser humano. Ele não é escravo. Foi escravizado. Tem condições raciais desiguais. Mas ela constata que o racismo ou o preconceito de cor é tão violento e sutil e estrutural que sendo latente se manifesta até entre os negros.

Ela teve contato com o Movimento Negro Unificado tendo diversos entreveros e afastamentos políticos.

Beatriz Nascimento sempre procurou continuar sua carreira acadêmica, no nível de pós graduação na UFF. Ela compôs o Conselho Editorial do Boletim do Centenário da Abolição e República, no qual era responsável pelas entrevistas.

Segundo seu biógrafo, o pesquisador Ratts, o seu filme Ori, realizado pela socióloga e cineasta Raquel Gerber, em 1989 e escrito pela própria Beatriz, documenta os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988. Esse filme ainda passa pela relação entre Brasil e África, pelo movimento negro, tendo o quilombo como fio condutor.

Ela realizou duas viagens à África com o objetivo de conhecer e estudar territórios de “antigos quilombos” tanto em Angola como no Senegal. Suas preocupações estavam ligadas à sua história pessoal e diziam respeito à sua revolta contra o racismo e em especial contra a mulher negra e contra o patriarcalismo.  Seus estudos e pesquisas tinham como eixo fundamental – o quilombo e seu significado.

Finalmente, o seu assassinato, ocorrido por ocasião de sua defesa de uma amiga em face ao marido dela que era violento, interrompeu o seu percurso intelectual;  mas suas preocupações continuam merecendo respostas e  encaminhamentos até nossos dias. Naquele momento, ela cursava o mestrado na UFRJ sob a orientação do comunicólogo negro Muniz Sodré (Folha de São Paulo em 31/01/95).

Na academia, segundo seu biógrafo, mesmo diante de suas produções e suas contribuições teóricas, ela não foi aceita como “autora” pelos acadêmicos que estudam as relações raciais no Brasil, embora ela tivesse galgado relativa significação, à semelhança de outras(os) intelectuais e ativistas negras(os).

Beatriz comenta e estuda a “invisibilidade” da mulher negra no espaço acadêmico especialmente quando esta elabora um pensamento próprio dentro dos parâmetros acadêmicos, inspirada na vida extra – muros da universidade e tenta romper esse processo de invisibilidade do negro no espaço acadêmico.

No Prefácio do livro de Ratts, Sueli Carneiro, Diretora fundadora do Geledés –  Instituto da Mulher Negra, afirma que Beatriz como –

“Historiadora, libertou a negritude do aprisionamento acadêmico ao passado escravista, atualizando signos, e construindo novos conceitos e (novas) abordagens.”

Ela está se referindo à preocupação de Beatriz com o seu objeto de estudo – os quilombos urbanos, conceito em que ela ressignifica o território/ favela como espaço de continuidade de uma experiência histórica da escravidão. Assim, Sueli nos afirma que Beatriz constata que a marginalização social, a segregação e resistência dos negros nos quilombos se atualiza naqueles quilombos urbanos ou seja as favelas.

Em relação à produção dos intelectuais negros, diz Ratts, parece haver uma certa barreira etno-racial na Academia. Mas constata que não é só nas hostes intelectuais que vigem os mecanismos de “invisibilidade negra” mas também em outros âmbitos sociais.

A opção de Beatriz Nascimento pela carreira acadêmica lhe possibilitou ser ativista e intelectual. Tanto quanto nos Estados Unidos da América, a academia brasileira também rechaçou algumas intelectuais negras nas mesmas condições considerando-as apenas como ativistas.

A sua invisibilidade se consolida porque o seu outro, na linguagem de Ratts, (homem branco, mulher branca ou homem negro) não a concebe e nem a percebe neste ambiente acadêmico, nem tampouco trilhando esse itinerário Intelectual.  

Existem muitas referências de mulheres negras e homens negros, tanto no Brasil como nos Estados Unidos constatando essas dificuldades na Academia. Aceita-se as pessoas negras como ativista, mas não como intelectuais e nem pesquisadores, em especial, no campo das Ciências Sociais.

O esquecimento, por parte dos pares, nas citações, é um dos procedimentos precisos de “invisibilidade negra” por parte dos setores hegemônicos da academia brasileira.

Segundo Ratts, em relação a Beatriz Nascimento no auge de sua produção acadêmica até o final dos anos 90 não foi citada e nem levada em consideração até mesmo por alguns intelectuais negros aceitos na academia. Depois de sua morte ela foi esquecida por intelectuais/ artistas/ ativistas relacionados aos movimentos negros.

Após a sua morte, o seu orientador assim se expressa em dois momentos. No primeiro momento, Muniz Sodré traz o contexto em que ela se situava e afirma

“Como trilhar um conciliatório com a vida, quando o real por ela    apontado parece sempre estranho e angustiante? (…)”

No segundo momento ele traça o perfil de Beatriz:

“Beatriz foi uma das pessoas atravessadas pela angústia daquele   famoso “resíduo insolúvel” no processo de modernidade, sobre o qual sociólogos vivem construindo suas teses. Eu a conheci de perto, percebi o que ela sabia e sentia que, no resto insolúvel, parece jogar um certo destino, inacreditável para a consciência da pessoa.”

“Tentou como intelectual (professora de História, conferencista e  escritora) compreender e superar o trágico oriundo da dívida simbólica do ser negra. Tinha largo trânsito na comunidade.”

“Na vida pessoal, era às vezes sofrida, mas sempre lúdica e doce.” “Não a atemorizava o risco da verdade. Mas isto é temerário, quando se vive numa sociedade machista.”

“Na morte, espera, e a sociedade lhe deve justiça.”

A questão do racismo é bastante complexa. Há dois elementos muito importantes para a sua compreensão. Para ela, segundo Ratts, o negro tem uma “vida dupla” ou mesmo “tripla” porque o racismo / preconceito é uma experiência que retira do sujeito negro, de si mesmo, os seus sentimentos, porque vive numa sociedade de brancos. O seu comportamento deve ser padronizado com os ditames negros. Assim, o negro se anula, passando a viver uma outra vida sem base, flutuando.

Esse processo se inicia na escola primária e o segue durante toda sua vida. É a agressão pura e simples sobre seu cabelo, sua cor, enfim, seus traços não brancos, sua boca, enfim, seus atributos, que resultam no isolamento. Algumas crianças negras se refugiam no mérito estudando mais, até para ser aceita no grupo. Essa foi a saída encontrada por Beatriz. Outras crianças negras abandonam a escola por não suportar tal situação.

Ainda há quem acredite que o racismo não tem esses requintes de crueldade. Mas para Beatriz, ser negro é uma identidade atribuída aos negros pelos dominadores brancos.

Ela, entretanto, não se pretende racista em relação ao outro – o branco – embora seja uma militante negra. Assim, suas pesquisas sobre os quilombos são pensadas essas pesquisas não como elemento datado, mas para além da escravidão.

Ela estudou o tema, segundo Ratts, por quase vinte anos, entre 1976 e 1994. Mas mesmo assim, não é reconhecida pelos estudiosos da academia sobre esse tema. Nos seus estudos sobre o quilombo, ela considerou vários aspectos, como toponímia, memória, relação África – Brasil, territorialidade e espaço.

As pesquisas de Beatriz tinham conotações e dados além dos estudos da Academia que demorou a aceitar – o quilombo – como linha de pesquisa, à exceção do quilombo de Palmares. Mas mesmo assim, pesquisadores negros sobre a temática foram isolados ou desconsiderados no âmbito acadêmico.

Beatriz concebe o quilombo como um campo de tensão e de busca espacial, dando assim uma conotação bastante distinta da forma como era usado o conceito. Ela se expressa assim quanto ao tema:

“Então, nesse momento, a utilização do termo quilombo passa a ter uma conotação basicamente ideológica, basicamente doutrinária, no sentido de agregação, no sentido de comunidade, no sentido de luta como se reconhecendo homem, como se reconhecendo pessoa que realmente deve lutar por melhores condições de vida, porque merece melhores condições de vida desde o momento que faz parte dessa sociedade.”

No enfrentamento diário dos micro-mecanismos do racismo e do sexismo, as mulheres negras são atingidas na sua saúde mental de forma aguda. Com Beatriz não foi diferente. Ela teve longos períodos de transtornos psíquicos que a afetaram no aprofundamento dos seus trabalhos. Os seus versos e escritos são testemunhas da sua luta.

O mito da Democracia Racial no Brasil

Como Beatriz, outros intelectuais negros se debruçaram sobre a questão. Como por exemplo Petrônio Rodrigues no seu artigo “O mito da democracia racial e a mestiçagem no Brasil (1989 – 1930) publicado na revista “Diálogos Latino-americanos” n.10  nos mostra como no nível das ideias o mito da democracia racial foi construído no transcurso do Brasil Colônia e Império.

Embora o preconceito/racismo tenha se exacerbado no Brasil após a abolição da escravidão, as bases teóricas do mito da democracia racial se consolidaram no imaginário social, transformando-se em ideologia oficial das relações raciais no Brasil. O estudo feito por Rodrigues em São Paulo, parece ser válido para o Brasil.

A Constituição Brasileira de 1891 no artigo 70, título IV revela que os analfabetos não tinham direitos políticos, pois não podiam votar e nem ser votados, condição em que se encontravam os ex-escravizados, os negros, os pardos e os indígenas.

Os negros levavam uma desvantagem em relação aos outros, pois a cor era um elemento restritivo ao seu sucesso individual ou do grupo. Mas o discurso das elites brasileiras era de que o fracasso da vida do negro era devido às suas próprias deficiências, pois o sistema oferecia igualdade de oportunidades a todos indistintamente e todos eram iguais perante a lei. Era o discurso de tornar as vítimas culpadas, segundo Rodrigues.

O problema é que muitos negros assumiram essa postura do fracasso e do insucesso nessa sociedade. O autor cita até jornais da imprensa negra como O Jornal Getulino em 23/08/23 p. 2 que afirmava

 “O brasileiro negro é naturalmente inimigo do trabalho, é indolente, é preguiçoso, mas não por sua culpa. O nosso negro é atavicamente, uma vítima do passado e do viciado cativeiro de quatrocentos annos.”

Abdias do Nascimento no seu artigo “O genocídio do Negro Brasileiro: processo de um racismo mascarado”, citado por Rodrigues, na sua dissertação de mestrado, nos oferece a explicação de que o mito da democracia racial tem como dimensões psicológicas: o sentimento de superioridade dos brancos e sua correspondente, o sentimento de inferioridade dos negros – estes introjetam essa idéia de que a solução para os males produzidos pela exclusão era individual devido a incapacidade do negro. Ele ainda assevera que o papel da população negra na construção da identidade nacional em termos contemporâneos é muito importante e não se deve ver o negro apenas como elemento do passado.

O consenso estabelecido entre os brancos de que não havia problema racial com a legitimação de uma fração do movimento negro no início do século XX em São Paulo, gerou um isolamento político do protesto negro viabilizado pelo movimento negro, ficando a luta restrita aos negros. Essa reivindicação deve ser da sociedade em geral e não apenas dos negros. Deve contar com a colaboração dos brancos.

Entretanto, estes, em geral, se comportaram de três maneiras, segundo Rodrigues:  – indiferença ao drama; – tentativa de assegurar o controle social sobre os afro-descendentes;  – e até mesmo acusar o movimento negro de racista por estar criando um problema – racismo – que não existia no país.

Para Rodrigues, não foi Gilberto Freire quem criou o mito da democracia racial em “Casa Grande & Senzala” de 1933, mas ele apenas catalisou os fundamentos de um mito construído historicamente pela classe dominante e aceito pelas demais classes sociais e por um setor da população negra. Essa catalisação considerada como um plano científico possibilitou que a representação popularizada das relações entre brancos e negros se transformasse em ideologia racial oficial e, por conseguinte em senso comum.

A escravidão ainda é uma memória recente na história do Brasil. E os pretos escravizados vieram de regiões diferentes da África com culturas, e visões de mundo diferentes. Mas os pesquisadores tratam esse fenômeno como se o continente africano fosse apenas um estado e tivesse a mesma cultura, como se fosse uma região de habitantes invisíveis, fauna e flora únicas de onde se exibe animais os mais diversos. Como se os negros africanos que vieram escravizados para o Brasil fossem oriundos de um continente sem história, sem cultura sem religião. Que apenas sua história começasse com o tráfico negreiro, e isso se mantém no imaginário social. O negro é retratado, segundo Munanga, como errante.

O negro deu a sua força muscular, seu sangue, sua cultura, configurando a nossa cultura e a nossa identidade nacional em igualdade de condições com outros componentes, brancos, indígenas e a sua geração de mulatos.

E mais, os escravizados aqui chegados, criaram cultura e formas de ver o mundo diferentes. Às vezes, adaptando os seus mitos e ritos e toda a sua cultura à situação nova no Brasil constando diferença entre essas manifestações, todas invenções culturais da “diáspora”. Há diferenças entre elas, conforme elas se desenvolveram no continente americano. Exemplos são o jazz, o reggae ou o samba. (https://editalequidaderacial.ceert.org.br/ consultado em 30/07/2020). Hoje sabemos que os movimentos evangélicos também vão influir e receber influencias quando estiverem inseridos nas comunidades negras.

Finalmente o que é importante é o chamamento que Beatriz do Nascimento faz “É tempo de falarmos sobre nós mesmos” pois a história do negro no Brasil é contada pelos estudiosos como se essa história se limitasse apenas ao tráfico, à escravidão e à abolição. Não se conhece a história do continente africano antes do tráfico e nem o que veio depois da abolição no Brasil e não se fala de pessoas, segundo Munanga, mas de escravos.

Estudiosos com Florestan Fernandes afirmam que “o Brasil tem o preconceito de ter preconceito racial”.

Finalmente, a principal biblioteca do Arquivo Nacional tem o seu nome – Biblioteca Maria Beatriz do Nascimento – como homenagem. Todo acervo pode ser consultado no site do Arquivo Nacional por meio da base de dados BNPortal.

A homenagem a Maria Beatriz foi feita em votação direta nas mídias sociais em 2016 para escolher um nome e o da Maria Beatriz foi escolhido com 84% dos votos. A Wikipédia informa como foi o processo de escolha e conta que ela foi estagiária; o seu acervo arquivístico foi doado à Biblioteca por sua filha.

Consultado em 27/06/2020 “Arquivo Nacional – Escolhido o nome da Biblioteca no site:

https://www.arquivonacional.gov.br/servicos-ao-governo/53-institucional/editais-e-concursos/337-escolhido-o-novonome-da biblioteca-doarquivonacional.html

www.arquivonacional.gov.br

Setembro de 2020